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domingo, setembro 09, 2007 

DESCULPEM, ESTOU DE VOLTA...

Nas últimas semanas recebi dezenas de mensagens de leitores que acusam os jornalistas do PÚBLICO de descuidos, despistes, ignorância, preguiça mental e repetições...

1 DESCUIDO
“Descuido, despiste ou ignorância?
Inexperiência pode ter provocado queda de Dromader (03.08.2007 - 22h22 - Cláudia Bancaleiro):
‘... oito aviões Dromadair’;
Conhecido pela cor amarelo forte, é um aerotanque que atinge um máximo de 225 quilómetros/hora e tem um alcance de distância de mil quilómetros’”, cita José Martins, um leitor de Lisboa.

Os reparos são pertinentes. ‘Dromadair’ é uma formulação incorrecta e o parágrafo reproduzido é, no mínimo, controverso (‘
cor amarelo’, ‘atinge um máximo’, ‘alcance de distância?, por exemplo).
O texto da jornalista contém mais erros. ‘
Airtractor’, por exemplo, escreve-se “Air Tractor” (com um espaço no meio), mas isso é um detalhe.

2 DESCUIDOS
“Penso que um jornal como o PÚBLICO devia ter mais cuidado com os títulos.
Página 5 (31 de Julho de 2007): ‘COM A MORTE DO CINEASTA SUECO UMA ESPÉCIE DE FAMÍLIA PERDEU A SUA ESPÉCIE DE PATRIARCA’”, transcreve Augusto Küttner de Magalhães, um leitor do Porto.

Foi certamente um lapso do editor ou do director de fecho (a quem compete dar ou aprovar os títulos). É a única explicação plausível. Quanto a espécies em vias de extinção, a mais gritante é a dos “revisores” ou “copy-desks”. Fazem o que podem, mas podem pouco porque o seu número é insuficiente (e as novas tecnologias não são panaceia para tudo). Deles também depende a qualidade do jornal e a credibilidade da Imprensa.

3 DESCUIDOS
“Gostaria de chamar a atenção para três pontos distintos.
O primeiro é específico e está relacionado com uma peça da jornalista Graça Barbosa Ribeiro no PÚBLICO de hoje (02/08/2007).
A peça, de reportagem, intitulada ‘Fui eu que renasci’, na página 9, tem, a certa altura, a passagem: ‘A questão é que não há placas a assinalar a zona vigiada (...)’, um tudo nada mais à frente: ‘a questão é que não há bóias na albufeira (...)’ e umas palavras mais adiante: ‘A questão é que, oficialmente (...)’.
Temos, portanto, três vezes a formulação ‘A questão é que...’.
Pergunto se a jornalista conhecerá outras formas de apresentar os problemas e até se sabe contar, uma vez que dizer três vezes ‘a questão’ implica a existência de três questões, não apenas de uma, singular.
Eis um outro ponto mais genérico: tenho visto cada vez mais frequentemente, em peças diversas, o uso do termo ‘miúdo’ (ou variações do mesmo) no PÚBLICO. Pessoalmente, sempre considerei a palavra como de uso corrente, essencialmente oral, e pouco ajustada a um jornal, sendo que a palavra ‘criança’ me parece ser a ideal para estes casos. Será que é possível esclarecer esta dúvida?
Último ponto: ontem, 1 de Agosto, o PÚBLICO iniciou a publicação de um conjunto de textos sobre Fátima e o fenómeno de Fátima. Gostaria de saber a motivação editorial para esta opção. Fátima é sem dúvida um símbolo do país mas, sendo o Estado laico, o PÚBLICO um jornal que não se rege por critérios religiosos e sabendo que em 2007 passam 90 anos sobre as ‘aparições’ de Fátima (e não 100, ou 75 ou 50, as datas usualmente mais importantes), pergunto-me o interesse que tem dedicar uma página por dia ao assunto. Especialmente se não passará da transcrição de textos de uma Enciclopédia. Foi esta enciclopédia paga pelo jornal? Porque razão fazê-lo em Agosto e não em Maio ou Outubro, datas mais ligadas à mitologia de Fátima? E porquê terminar a 13 de Agosto quando o dia da ‘aparição’ de Agosto foi 19? Não vejo qualquer lógica para este assunto e pergunto-me se o jornal também dedicará 15 páginas a uma eventual efeméride relacionada, por exemplo, com a expulsão dos judeus de Portugal (acontecimento bem mais marcante para a história do país) ou qualquer outro assunto semelhante. Qual é então o frete que o PÚBLICO tem de pagar?”, pergunta João Sousa André.

A repetição era perfeitamente desnecessária. Nada a acrescentar.
A dúvida: ‘miúdos’ é sobretudo uma questão de estilo e de sinónimos.
Fátima: é uma questão de critérios editoriais sobre os quais o provedor não pode pronunciar-se.

5 DESCUIDOS
“Venho incomodá-lo de novo (e desta vez com algum atraso) pois detectei uma falha na redacção de uma notícia. Com efeito, no suplemento ‘P’ de Sábado, 23 de Junho 07, na pág. 40, secção Desporto, pode ler-se uma notícia, da autoria de Jorge Miguel Matias, com o título ‘Filipe Vieira defende contratação de Cardozo, apesar de ser caro’. Ora, a certa altura, no 6º parágrafo, a partir da 2ª linha, pode ler-se, e cito: ‘SOBRE o que Luís Filipe Vieira não falou foi SOBRE a OPA lançada por Joe Berardo SOBRE a Benfica SAD. Os dois almoçaram ontem no Centro Cultural de Belém mas nenhum comentário foi feito SOBRE a operação.’ E 7 linhas mais à frente: ‘escudou-se nas restrições impostas pela CMVM para não falar SOBRE o tema.’
Ora, apesar de a matemática não ser de facto o meu forte, consegui contar, só neste pequeno excerto, 5 (cinco) vezes a palavra ‘SOBRE’. Portanto: isto cheira-me a preguiça, indigência, ‘silly season’ no seu esplendor. Teria sido mesmo necessário incluir 5 vezes esta palavra? Ou será a língua portuguesa assim tão inflexível que nela não se encontrem alternativas válidas para enriquecer o texto e o tornar numa notícia relevante e interessante de ler, em vez de um ‘exercício’ de preguiça mental?”, conclui José Oliveira, um leitor da Cruz Quebrada.

Pois...

O endereço electrónico do provedor é: provedor@publico.pt

Seja bem vindo! Faz muita falta.

O provedor do leitor do Público parece uma rabugenta professora primária, apenas preocupada com erros de ortografia e problemas de concordância. É muito pouco. Onde estão as grandes linhas de orientação do diário? Onde pára a reflexão sobre o trabalho do dia-adia? A teorização sobre a relação com as fontes, ou sobre os novos desfios dos media?
Podia ao menos questionar-se sobre a maneira como o jornal é tantas vezes usado como arma de arremesso político, ou como a opinião vem tantas vezes mascarada de informação. Podia questionar-se sobre a situação única de o director do jornal ser simultaneamente administrador da Sonae. Sobre a maneira como a maior parte dos jornalistas faz um simples "corta e cola" das notícias da Lusa. Mas nem isso. Tenho pena pela oportunidade perdida.
Votos de continuação de um trabalho medíocre.
RCB.

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

No que diz respeito ao alegado insucesso do novo Público, não me parece de facto que esta seja realidade. Apesar de estar totalmente desgostosa com esta mudança, e de ter deixado de comprar este jornal (apesar de adorar o anterior já não consigo ler o actual) tenho plena noção que o jornal continua a vender. Pelo menos agora durante o verão, quase sempre que entrei numa papelaria depois da hora de almoço, o Público já se encontrava esgotado. Enfim... Preferia ter o meu Público de volta mas como não se pode ter tudo aquilo que se quer... Foi mais uma perda que se teve... Depois do falecimento do Professor Eduardo Prado Coelho (que descanse em Paz) e do consequente fim da crónica "O Fim do Horizonte" mais um pouco deste antigo Público se perdeu... Agora só falta mesmo o Calvin & Hobbes serem despejados da sua já escondida nova morada... Enfim, a esperança sempre vive...

Queria apenas corrigir um erro tipográfico no meu ultimo comentário, a crónica do Professor EDP chama-se "O Fio do Horizonte", e não Fim, como escrevi. Que o provedor continue com o seu muito bom trabalho!

RESPOSTA DO PROVEDOR AO LEITOR RUI CARLOS BAPTISTA

A- Os leitores escrevem ao provedor sobretudo por causa de "erros de ortografia e problemas de concordância". É lícito ignorar tais preocupações?
Os "erros de ortografia e os problemas de concordância" são assunto importante porque o seu número me parece excessivo.
Considero, por outro lado, que a imprensa tem uma responsabilidade acrescida na promoção do Português. A TV (principal fonte de informação para muitos portugueses) abdicou da Informação e da língua, ao optar pela reconhecida boçalidade que a caracteriza.
Os leitores e o provedor levantaram outros problemas: a condenação de pessoas na praça pública, o plágio, a confusão entre informação e publicidade, etc.
B- O provedor não pode pronunciar-se (ao contrário do que defende o leitor) sobre as "grandes linhas de orientação do diário". São competências exclusivas da Direcção Editorial.
Eis o estatuto do provedor:
“1. Avaliar a pertinência das queixas, sugestões e críticas dos leitores, produzindo as recomendações internas que delas decorrerem;
2. Esclarecer os leitores sobre os métodos usados e os factos relevantes envolvendo a edição de notícias que suscitem perplexidade junto do público;
3. Investigar as condições que levaram à publicação de notícias ofensivas dos direitos dos leitores;
4. Transmitir aos leitores, à Redacção ou à Direcção do PÚBLICO a sua reflexão sobre eventuais desrespeitos pelas normas deontológicas que ocorram no jornal.”
C- O leitor afirma, por outro lado, que o jornal é “usado como arma de arremesso político, ou como a opinião vem tantas vezes mascarada de informação”.
1- É uma acusação grave. É importante dissociar a Informação da Opinião, mas o leitor parece meter tudo e todos no mesmo saco. Rui Carlos Baptista considera, portanto, que os jornalistas do PÚBLICO são cúmplices da apregoada manipulação. É um processo de intenções. Discordo, obviamente.
2- A objectividade é um mito (acredito na isenção, no profissionalismo e na honestidade).
D- O leitor propõe: "Podia questionar-se sobre a situação única de o director do jornal ser simultaneamente administrador da Sonae. Sobre a maneira como a maior parte dos jornalistas faz um simples ‘corta e cola’ das notícias da Lusa."
1- Todos os directores do PÚBLICO (sem excepção) assumiram essa dupla função.
2- Apreciei as denúncias de leitores sobre o “corta e cola” e o ‘copianço’ várias vezes: casos relacionados com a agência LUSA, Wikipedia, revistas estrangeiras, etc.
Defendo (à semelhança do que estipula o Livro de Estilo do PÚBLICO) que todos os textos publicados devem indicar o nome do(s) autor(es).
E- O leitor conclui : "Reflectir, por exemplo, sobre as razões do relativo insucesso comercial e editorial do novo modelo. Mas nem isso."
1- O provedor não tem por missão questionar estratégias comerciais.
2- O provedor não pode questionar opções editoriais.
“Votos de continuação de um trabalho medíocre” deseja o leitor. O provedor agradece a amabilidade de Rui Carlos Baptista.

(in PÚBLICO 23-09-2007)

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Sobre o blog

  • O blogue do Provedor do Leitor do PÚBLICO foi criado para facilitar a expressão dos sentimentos e das opiniões dos leitores sobre o PÚBLICO e para alargar as formas de contacto com o Provedor.

    Este blogue não pretende substituir as cartas e os e-mails que constituem a base do trabalho do Provedor e que permitem um contacto mais pessoal, mas sim constituir um espaço de debate, aberto aos leitores. À Direcção do PÚBLICO e aos seus jornalistas em torno das questões levantadas pelo Provedor.

    Serão, aqui, publicados semanalmente os textos do Provedor do Leitor do PÚBLICO e espera-se que eles suscitem reacções. O Provedor não se pode comprometer a responder a todos os comentários nem a arbitrar todas as discussões que aqui tiverem lugar. Mas ele seguirá atentamente tudo o que for aqui publicado.

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