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domingo, fevereiro 11, 2007 

ERRATUM

O Procurador-geral adjunto junto do Supremo Tribunal de Justiça, António Bernardo Colaço, escreveu ao provedor.

Venho por este meio pôr à consideração de V. Ex.ª o seguinte: Na sua edição de 03.02.2007 o ‘PÚBLICO’ inseriu na página 10, a notícia intitulada ‘Procurador no S.T.J. critica Pinto Monteiro’. Pese embora o conteúdo da notícia reproduzisse com fidelidade a minha intervenção no VII Congresso do M.P. realizado no Alvor nos dias 1,2, e 3 de Fevereiro, a verdade é que em momento algum desta intervenção fiz referência à pessoa do Dr. Pinto Monteiro, actual Procurador Geral da República (PGR), que assumiu funções há pouco mais de dois meses. A haver crítica no meu trabalho ela referia-se, isso sim, à orgânica da Procuradoria-Geral da República, que datando pelo menos desde 1978, não pode de forma alguma ser atribuída ao actual PGR.
Dada a incompatibilidade do título com a notícia, dirigi-me por e-mail logo no dia 04.de Fevereiro à Sra. Jornalista responsável pela notícia bem como ao Sr. Director do ‘PÚBLICO’ e posteriormente a V. Ex.ª para que se procedesse à rectificação do título, nomeadamente eliminando a referência a
‘Pinto Monteiro’.
O ‘PÚBLICO’ na sua edição de hoje (07 de Fevereiro) limitou-se a publicar sob o título vago e amorfo de ‘Rectificação’ em jeito de Carta ao Director (página 4) o texto do meu e-mail inicial, sem qualquer comentário, ou explicação e, o que é mais grave ainda e de lamentar, ficando sem resposta a tão solicitada rectificação do título.
Deixo ao superior critério de V. Ex.ª a apreciação quanto ao modo de actuação do periódico em questão, sempre confiante no prestígio que o ‘PÚBLICO’ merece na valoração jornalística eticamente aferida.
A V. Ex.ª fica o preito da minha homenagem pela forma dignificada com que me atendeu
”, escreve o Procurador-geral adjunto junto do Supremo Tribunal de Justiça.

Solicitei um esclarecimento à jornalista Paula Torres de Carvalho, autora da notícia.


“O Dr. Bernardo Colaço tem toda a razão. No lugar dele, também ficaria aborrecida. O título inicial da notícia (que ele próprio reconhece ser rigorosa) não era o que saiu. Foi alterado pelo responsável da edição (prática que, aliás, está prevista no Livro de Estilo do Público) provavelmente por estar longo demais. A ideia de Procuradoria-Geral foi automaticamente associada a ‘Pinto Monteiro’, o que obviamente está errado mas que não creio ter sido intencional. Quando dei por isso, no dia seguinte, ao comprar o jornal (era sábado) tive imediatamente a noção que o erro era particularmente desagradável para o referido magistrado e comuniquei-lhe, telefonicamente, que corrigiria o erro na segunda-feira quando chegasse ao jornal, o que fiz com a imediata concordância do director. A carta do Dr. Bernardo Colaço acabou por ser apenas publicada na quarta-feira mas, nessa altura, já com todos os esclarecimentos e pedidos de desculpa previamente transmitidos.
Em suma: Houve, de facto, uma utilização abusiva do nome do Procurador-Geral da República no título da notícia, quando o seu conteúdo a ele não se referia. O erro foi detectado, reconhecido, inclusivamente junto das pessoas envolvidas. Finalmente o jornal publicou, na íntegra a carta que o Dr. Bernardo Colaço enviou ao director do jornal”, respondeu a jornalista Paula Torres de Carvalho.

Em momento algum da sua intervenção o Dr. António Bernardo Colaço se referiu, portanto, à pessoa ou à acção do actual Procurador-Geral da República (ao contrário do que diz o título do PÚBLICO).
A alteração do referido título (considerado demasiado longo) deturpou a realidade dos factos. O erro não terá sido intencional, mas não deixa de ser um erro.
O Livro de Estilo estipula que, “
em caso de erro, o jornal retractar-se-á imediatamente com o destaque e a justificação proporcionais à informação original. Qualquer imprecisão deverá ser prontamente corrigida. Com a periodicidade adequada, O PÚBLICO Errou trará a correcção dos erros ou das imprecisões que tenha impresso nas suas páginas em edições anteriores. Estatísticas erradas, nomes mal grafados, funções incorrectamente referidas, faltas de rigor e objectividade, informações falsas, declarações indevidamente atribuídas, são corrigidas por iniciativa própria do jornal.”

O PÚBLICO limitou-se a publicar, passados quatro dias, na secção
“Cartas ao Director” uma mensagem do Procurador-geral adjunto no Supremo Tribunal de Justiça.
Se uma rectificação raramente tem a força (o destaque e o espaço) da notícia que a originou, uma
“Carta ao Director” não significa o reconhecimento de coisa alguma.
Eis as conclusões do provedor:


1- A ‘Rectificação’ devia ter sido formulada pelo próprio PÚBLICO logo a seguir à publicação do erro;

2- A “
Carta ao Director” do Dr. António Bernardo Colaço devia ter sido acompanhada de uma nota da Redacção (sugerida, designadamente, pelo provedor) na página de abertura da secção Nacional, espaço onde a notícia foi publicada.

O provedor apurou, entretanto, que a nota da Redacção não foi publicada por causa de um “lapso”. Temos, portanto, um erro associado a um lapso. É lamentável. O PÚBLICO errou, duplamente.

Os jornais que recusam reconhecer os seus erros acabarão, irremediavelmente, por hipotecar a pouca credibilidade que ainda lhes resta. Porque não tenhamos dúvidas: a amnésia, as desculpas sinuosas e, em desespero de causa, a falta de transparência nunca foram solução para nada.
A primeira obrigação da Imprensa é a procura da verdade, reportando-a rapidamente com factos, rigor, contexto e um tratamento equilibrado. É uma responsabilidade enorme, mas é o preço da nossa credibilidade, questionada inexoravelmente edição após edição. Nos dias que correm é importante repeti-lo.

Concordo integralmente com a análise do provedor, mas parece-me que falta algo nos esclarecimentos do jornal. A resposta e a posição da jornalista apresentam-se claras e esclarecedoras. A névoa paira é sobre procedimento do editor, em termos de ética e termos de estrita competência profissional, já que a alteração do título sem consulta ou pelo menos prévia comunicação à autora do texto não só se apresenta como deontologicamente controversa como geradora de perplexidade em sede de interpretação da respectiva capacidade interpretativa do texto (que não dava azo a um título daquele teor). Pelo que me parece que esse editor e naturalmente o director, (responsável pelo tratamento dado à carta e ausência de rectificação) deveriam ser convidados a esclarecer a sua actuação (uma das virtualidades essenciais da figura do provedor, bem enfatizada pelo actual titular da função no Público, no fundo a pretendida prestação de contas). Permito-me também referir que se me apresentam como muito pertinentes as considerações aqui exaradas: http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/2007/02/rebaldaria-dos-irresponsveis-editoriais.html#links (post cuja existência me dispensa de prolongar este comentário).

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